domingo, 12 de agosto de 2012

Não basta ser pai, tem de participar


O calendário marca hoje uma data que homenageia uma figura com papel fundamental para o desenvolvimento socioemocional dos filhos, segundo estudos recentes, como o da tese de mestrado da psicóloga Inês Rito. Intitulado Pai, Conta-me Uma História, o trabalho concluiu que as crianças com o pai presente têm um nível de autoestima superior àquelas com pais ausentes.

Nem todos os homens, no entanto, têm tempo para ficar com os filhos como gostariam, o que não os tornam maus pais. Para a psicóloga Paula Gomide, autora de livros sobre o assunto, a qualidade da relação entre pais e filhos é mais importante do que a quantidade de tempo despendido. Segundo ela, pais que trabalham muito podem perfeitamente suprir a ausência aproveitando bem os momentos em que estão presentes e também demonstrando gestos de afeto a distância.

“Por exemplo, se o filho terá uma prova difícil, peça para ele, quando terminar, passar uma mensagem dizendo como foi. Depois, responda elogiando ou confortando, conforme o resultado relatado”, ensina Paula.

Ela observa que o pai não deve jamais ficar se justificando por não participar da criação do filho por ter muito trabalho. O DIÁRIO conversou com alguns homens que conseguem driblar a correria do dia a dia e serem pais presentes, mesmo quando estão ausentes. Confira algumas histórias, que podem servir de exemplo.

Exemplo para o herdeiro artilheiro olímpico

Natalino Pereira dos Santos, de 49 anos, não pode ficar ao lado dos filhos o tempo que gostaria, mas, nesse caso, por conta do trabalho dos jovens, jogadores de futebol. O mais velho, Edimar, de 24 anos, disputa a Série C pelo Luverdense, do Mato Grosso, em busca do mesmo sucesso do irmão, Leandro Damião, 23 anos, centroavante do Internacional e da seleção, que ontem disputou a final da Olimpíada.

Apesar da distância, o popular morador do Jardim Angela, na Zona Sul, fala quase todos os dias com os filhos pelo telefone e, sempre que pode, vai aos jogos, principalmente do mais famoso.

“O Leandro manda passagem para eu ir a Porto Alegre e vem para São Paulo quando pega folga”, afirma Natalino, que se tornou conhecido pelas homenagens que Leandro faz.

Quando marca um gol, o atleta simula um bigode. Para o pai, o carinho é uma resposta à dedicação e à educação dadas na infância.

Natalino e a mulher se separaram quando os meninos tinham 4 e 5 anos, respectivamente. Ele criou os dois sozinho. O que mais se orgulha de ter ensinado foi a humildade. Neste Dia dos Pais, o atacante não vai poder estar no bairro onde cresceu, mas Natalino está feliz porque viu o filho disputar sua primeira Olimpíada, conquistar a prata e ser o artilheiro da competição.

Encontros semanais, como na época do avô

Eduardo Suplicy entrou para a vida pública quando os filhos eram pequenos. Ex-vereador, ex-deputado e no Senado há 22 anos, divide a família com uma rotina de sessões, reuniões e viagens, mas sempre arrumou tempo para Eduardo (o Supla), João e André, frutos do casamento com a senadora Marta Suplicy. Aos 72 anos e com os filhos adultos, o político continua muito próximo aos três.

“Telefono quase todo dia para ver como estão e procuro sempre estimulá-los nas carreiras”, fala Suplicy, que até já subiu ao palco com Supla e João.

“O respeito à família e a boa relação com meus filhos são fundamentais, dão muito sentido à minha vida”, afirma.

O senador fica em Brasília de terça a quinta, dá aula em São Paulo na sexta, mas o fim de semana é para a família. Como os filhos mais velhos são músicos e viajam, nem sempre consegue estar com todos ao mesmo tempo, mas a alegria é grande quando a casa está cheia, inclusive com os cinco netos, momentos que o fazem lembrar-se dos almoços de domingo na casa do avô Andrea Matarazzo. Para Suplicy, ser pai é ser exemplo.

“Procuro transmitir a eles valores nos quais eu acredito, como respeito, solidariedade e justiça.”

Folgas dedicadas ao lazer com o filho

João Paulo Gonçalves, motorista autônomo, de 33 anos, presta serviço para uma produtora de eventos corporativos e vai viajar para Salvador (BA) hoje, mas só após o almoço do Dia dos Pais ao lado da esposa e de João Lucas, de 4 anos.

“Teria de sair mais cedo, mas não posso passar essa data longe do meu filho”, fala João Paulo.

Ele está nessa profissão desde que o menino tinha 2 anos e gosta do que faz, mas admite ser difícil ficar longe da família. O motorista viaja bastante e, mesmo quando está em São Paulo, tem serviço até tarde. O segredo é telefonar para o garoto várias vezes por dia. Quando está de folga, leva e busca o filho na escola e o envolve em todas as suas atividades.

“Gosto de jogar futebol e sempre o levo junto”, conta.

Inclusive, a paixão pelo futebol e pelo São Paulo foi herdada pelo menino, que ainda é pequeno para entrar em campo com João Paulo, mas adora jogar com ele no Playstation. Apesar da idade, o esperto João Lucas entende que o pai precisa trabalhar e tenta aproveitar cada minuto ao lado dele, com muita energia e um sorriso maroto no rosto.

Ajudinha da internet durante as viagens

Relações-públicas, blogueiro e músico amador, Nick Ellis, de 41 anos, trabalha, em média, nove horas por dia, tem um projeto musical que exige dedicação diária e viaja ao menos uma vez por mês para o exterior. Ele se separou no final do ano passado da mulher, que ficou com os dois filhos, e não dorme mais sob o mesmo teto das crianças todas as noites. Nada disso impede Nick de ser um pai presente para Maria Clara, de 7 anos, e Theo, de 5 anos.

“Todo o meu tempo disponível é reservado para eles. A gente se diverte muito”, afirma.

Pelo menos uma vez por semana, ele dá um jeito de pegar os filhos na escola para algum programa juntos e reveza com a mãe os finais de semana. Os programas preferidos são ir a parques, praias, cinema e sair para lanchar. Mas, mesmo quando está longe, Nick dá um jeito de ver os filhos, com a ajuda da internet.

“Quando viajo, entro no Skype todo dia para conversar com eles por vídeo", conta.

Para as férias, está programando uma viagem internacional só com os filhos.

“É possível ser um pai presente mesmo não morando junto. É só querer”, afirma Nick.

DICAS:

>> Sempre se interesse sobre o dia do seu filho (perguntando da escola e dos amigos, por exemplo)

>> Faça programas nos finais de semana (com e para os filhos)

>> Faça tarefa da escola com ele, mesmo que seja à noite

>> Mande mensagens de elogios e incentivos durante o dia

>> Deixe bilhete na cama do seu filho se chegar e ele já estiver dormindo

>> Reitere constantemente seu amor. Não economize afeto quando estiver com ele

>> Se estiver viajando, fale com ele pela internet, mande torpedos, fotos de uma cena engraçada ou de algum lugar interessante


SILVÉRIO MORAIS
silverio.morais@diariosp.com.br

Cabedelo na WEB com Redebomdia
(12/08/2012)

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