sábado, 18 de maio de 2013

Um Arriscado Esporte Nacional: Influência do Fumo e Álcool no desenvolvimento do Câncer de Boca.



O câncer de boca é uma denominação que inclui os cânceres de lábio e da cavidade bucal, incluindo mucosa bucal, gengivas, palato duro, língua e assoalho da boca. A localização anatômica de maior incidência é o lábio inferior (principalmente em pessoas de pele clara), seguida da língua. O câncer em outras regiões da boca acomete principalmente fumantes e os riscos aumentam quando o fumo é associado ao álcool.

Devido sua alta incidência e mortalidade o câncer bucal é considerado um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a estimativa para novos casos de câncer de cavidade bucal para o ano de 2012 foi de 9.990 casos novos de câncer da cavidade oral em homens e 4.180 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 10 casos novos a cada 100 mil homens e 4 a cada 100 mil mulheres.

Sem considerar os tumores da pele não melanoma, o câncer da cavidade oral em homens é o quarto mais frequente na região Nordeste (6/100 mil). Para as mulheres, é o oitavo mais frequente na região Nordeste (3/100 mil).

Os principais fatores de risco para o câncer da cavidade bucal são o tabagismo (hábito de fumar), o etilismo (consumo de bebida alcoólica) e as infecções pelo HPV (Vírus do Papiloma Humano). Estudos apontam que o hábito de fumar e beber estabelece um sinergismo entre esses dois fatores de risco, aumentando 30 vezes o risco para o desenvolvimento desse tipo de câncer. O fumo é responsável por cerca de 42% dos óbitos por essa neoplasia. Já o etilismo pesado corresponde a, aproximadamente, 16% dos óbitos.

As taxas de mortalidade por câncer da cavidade bucal apresentam um declínio na população masculina na maioria dos países. Em mulheres, esse comportamento ainda não pode ser observado, uma vez que o início do uso do tabaco pelas mulheres foi posterior ao dos homens. Contudo, as taxas de incidência para câncer da cavidade oral relacionado à infecção pelo HPV, como amígdala, base da língua e orofaringe, aumentam entre adultos jovens em ambos os sexos. Parte desse aumento pode ser atribuído a mudanças no comportamento sexual.

A detecção precoce do câncer pela inspeção visual, seja ela feita pelo próprio indivíduo ou por dentistas e médicos, pode descobrir anormalidades pré-malignas do câncer da cavidade bucal. Quando diagnosticado precocemente, esse tipo de câncer apresenta bom prognóstico.


O principal sinal deste tipo de câncer é o aparecimento de feridas na boca que não cicatrizam em uma semana. Outros sinais são ulcerações (feridas) superficiais, com menos de 2 cm de diâmetro, indolores (podendo sangrar ou não) e manchas esbranquiçadas ou avermelhadas nos lábios ou na mucosa bucal. Dificuldade para falar, mastigar e engolir, além de emagrecimento acentuado, dor e presença de linfadenomegalia cervical (caroço no pescoço) são sinais de câncer de boca em estágio avançado.

Pessoas com mais de 40 anos de idade, devem evitar o fumo e o álcool, promover a higiene bucal, ter os dentes tratados e fazer uma consulta odontológica de controle a cada ano. Outra recomendação é a manutenção de uma dieta saudável, rica em vegetais e frutas.
Para prevenir o câncer de lábio, deve-se evitar a exposição ao sol sem proteção (filtro solar e chapéu de aba longa). O combate ao tabagismo é igualmente importante na prevenção deste tipo de câncer.

A cirurgia e/ou a radioterapia são, isolada ou associadamente, os métodos terapêuticos aplicáveis ao câncer de boca. Para lesões iniciais, tanto a cirurgia quanto a radioterapia tem bons resultados e sua indicação vai depender da localização do tumor e das alterações funcionais provocadas pelo tratamento (cura em 80% dos casos).

A cirurgia radical do câncer de boca evoluiu com a incorporação de técnicas de reconstrução imediata, que permitiu largas ressecções e uma melhor recuperação do paciente. As deformidades, porém, ainda são grandes e o prognóstico dos casos, intermediário. A quimioterapia associada à radioterapia é empregada nos casos mais avançados, quando a cirurgia não é possível. O prognóstico, nestes casos, é extremamente grave, tendo em vista a impossibilidade de se controlar totalmente as lesões extensas, a despeito dos tratamentos aplicados.

Por: Edgley Porto


Fontes sugeridas para leitura:

1.     Artigo do autor publicado em revista internacional: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3434468/

2.      http://revista.uepb.edu.br/index.php/pboci/article/viewFile/871/775

3.      http://www.inca.gov.br/estimativa/2012/index.asp?ID=5

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