sábado, 23 de junho de 2012

O que pensa um candango do nosso São João

AO PÉ DO OUVIDO// Viva São João!


Hoje é noite de São João e o Nordeste pega fogo. Aqui em Brasília a gente não tem essa referência de dia. Temos a época de festas juninas, que às vezes prossegue julho adentro. Mas falo de São João porque, a meu ver, essa é uma festa essencialmente musical, embora aqui seja mais gastronômica. Caramba como se come nesses dias!

Sempre digo que, se aqui as pessoas vão à festa junina para ganhar calorias, lá elas vão perder, suando no salão. No Nordeste — e, pelo que andei ouvindo recentemente em Belém, no Norte também —, São João é essa festa, sobretudo musical, como já disse. São João quer dizer forró. E se tem uma tradição que merece ser mantida é essa (e assumo que essa defesa tem origem em lembranças afetivas fortes).

Por isso, gostei quando Chico César, do posto de secretário estadual de Cultura da Paraíba, anunciou que o estado não bancaria mais as bandas de “forró de plástico”. Só a discussão que se desenrolou a partir daí já fez valer a decisão dele, mesmo que tivesse que voltar atrás. E não são somente as bandas de forró eletrônico que desvirtuam a tradição. É de dar desgosto esse negócio de levar grupo de axé, pagode e cantores de sertanejo-pop-romântico tipo Luan Santana para animar festa junina.

Sei que tudo se modifica, se moderniza e tal, mas o São João tal como era comemorado tempos atrás no Nordeste era um ritual que remete a inocência, a um quadro naif, a uma alegria de tom lírico (diferente da euforia do carnaval), e essa essência poderia ser guardada pelo menos em dois dias do ano. Se em quatro dias de carnaval soltam-se os bichos, por que não aproveitarmos o São João para cultuarmos a pureza que a vida no interior um dia teve (e assim, por tabela, cultuarmos nosso interior).

Poderia me dedicar mais a falar da música junina, fazendo jus á finalidade desta coluna. Mas, por falta de tempo, vou me limitar a lembrar da música que mais resume tudo isso que falei acima: Olha pro céu, de Luiz Gonzaga e José Fernandes — claro, porque São João tem que ter Luiz Gonzaga. E esse vídeo, trecho do documentário Viva São João! de Andrucha Waddington, é lindo e oportuno, porque mostra outra figura cuja voz tem tudo a ver com esta época do ano, Marinês (in memoriam).

Por: Rosualdo Rodrigues

Fonte: Blog Gastronomix
(23/06/2012)

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