HABITAÇÃO: Entre o aluguel e o sonho: a classe média que o Minha Casa, Minha Vida passou a alcançar
A questão é que, em Fortaleza, como em outras capitais brasileiras, cobra-se caro até pelo metro quadrado. E Ananda vivia num paradoxo cruel: a renda do casal era alta o suficiente para tirá-los das faixas com mais subsídio do Minha Casa, Minha Vida, mas insuficiente para tornar o financiamento de mercado confortável.
"Tentamos algumas análises antes, mas como nossa renda ficava naquele limite onde o subsídio era baixo, o valor da entrada acabava ficando muito pesado, fora da nossa realidade de planejamento para o início do casamento. Parecia que, por ganharmos um pouco a mais, éramos penalizados com menos ajuda", conta ela.
A FAIXA QUE FALTAVA – A Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida foi criada em abril de 2025 e ampliada em abril de 2026 exatamente para esse público: famílias com renda entre R$ 9.600 e R$ 13 mil mensais que queriam financiar imóveis de até R$ 600 mil.
Três perfis passaram a ser usuários típicos dessa nova faixa: profissionais formais com renda intermediária comprando o primeiro imóvel; famílias trocando de imóvel com renda em ascensão; e pais que financiam imóvel com o filho como titular do contrato. Ananda se encaixa no primeiro grupo com precisão cirúrgica.
Para Ananda, a atualização era o reconhecimento que faltava. "Agora, estamos muito otimistas com essa mudança. Vejo isso como a oportunidade real de finalmente tirarmos o sonho do papel e garantirmos nosso teto — seja casa ou apartamento, mas que seja o nosso primeiro lar."
O QUE MUDOU – As novas regras passaram a valer em abril, após aprovação pelo Conselho Curador do FGTS e regulamentação pelo Ministério das Cidades. As faixas de renda urbana ficaram assim:
Faixa 1: até R$ 3.200/mês
Faixa 2: de R$ 3.200 a R$ 5.000/mês
Faixa 3: de R$ 5.000 a R$ 9.600/mês
Faixa 4 (Classe Média): de R$ 9.600 a R$ 13.000/mês
O teto dos imóveis da Faixa 4 subiu de R$ 500 mil para R$ 600 mil — reajuste de 20%. Na Faixa 3, o limite foi de R$ 350 mil para R$ 400 mil.
A vantagem competitiva não está em subsídio direto – as Faixas 3 e 4 não têm direito a esse benefício –, mas nas condições de crédito. Cotistas do FGTS na Faixa 4 acessam taxa de juros de 10,50% ao ano, bem abaixo dos 12% ou mais praticados no mercado livre. A isso se somam prazo de financiamento de até 35 anos e a possibilidade de usar o FGTS na entrada, na amortização e no abatimento de parcelas.
IMPACTO – A estimativa do Ministério das Cidades é que ao menos 87,5 mil famílias brasileiras sejam beneficiadas com a redução nas taxas de juros — sendo 8,2 mil novas famílias incluídas pela Faixa 4 e outras 31,3 mil pela Faixa 3.
O impacto também se reflete na economia. Desde 2023, o programa contratou mais de 1,9 milhão de unidades, com investimento público superior a R$ 300 bilhões. A meta é chegar a 3 milhões de moradias contratadas até o final de 2026 — 50% acima da meta original. O orçamento para habitação em 2026 chegou ao recorde de R$ 200 bilhões.
Para o vice-presidente de Habitação em exercício da Caixa Econômica Federal, Roberto Carlos Ceratto, o efeito já se sente nos balcões. Desde a alteração, houve um aumento no volume de simulações e propostas. "Parece uma mudança simples, mas é muito emblemática na vida das pessoas", afirma.
Para Ananda, os cálculos finalmente fecham. Agora, o casamento já está no horizonte. O endereço, também.
"Todo mundo quer trocar o aluguel pela prestação da casa", disse o presidente Lula durante o anúncio de pacote de medidas estratégicas para o setor habitacional, no mês passado, em Brasília. Ananda não precisa ser convencida disso. Ela só precisava que o programa a enxergasse.
Como simular: É possível fazer uma simulação pelo aplicativo de habitação da Caixa Econômica Federal ou em qualquer agência bancária.
Fonte: Agência Gov | Via Secom/PR
